Os estereótipos na hora de adotar

Postado em Artigos no dia 25/05/2022

Os estereótipos na hora de adotar Hoje, dia 25 de maio, é comemorado o Dia Nacional da Adoção, data que não se pode deixar passar em branco uma vez que, apesar da sua indiscutível importância, é tão pouco compreendida em nossa sociedade. Esse artigo trata, especialmente, dos estereótipos na hora de se adotar.

Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), no Brasil há cerca de cinco mil crianças e adolescentes para serem adotados e um total aproximado de quarenta e três mil pessoas ou casais aptos a adotarem. Por mais que o número de possíveis adotantes seja estrondoso, a adoção ainda é complicada, sendo uma das razões o padrão de escolha pretendido.

A verdade, é que a maioria dos menores a serem adotados não se encaixa no estereótipo determinado pelos interessados e, com isso, permanecem indefinidamente nos abrigos. A preferência da maioria dos adotantes é por crianças brancas, sem irmãos, sem deficiência física ou cognitiva e com idade inferior a dois anos. No Brasil, a prática da adoção ainda é associada aos casos de infertilidade, o que leva ao interesse por recém nascidos.

Mas quais as razões por trás desses estereótipos? São várias! A maioria está relacionada à mitos e crenças disseminados em nossa sociedade e à divulgação de informações midiáticas sobre episódios isolados ou não comuns à realidade das famílias adotivas que, lamentavelmente, ainda influencia a decisão dos interessados na adoção.

No tocante à idade, por exemplo, a preferência por crianças pequenas diz respeito ao medo das características da personalidade decorrentes da sua criação ou até mesmo da vivência na primeira infância. A ideia, muitas vezes até inconsciente, é de poder contribuir positivamente na formação da personalidade do adotado, para o que se acredita ser melhor fazê-lo desde bem cedo. Outro ponto relacionado à escolha dos bebês em detrimento às crianças um pouco mais velhas, também, diz respeito à maior possibilidade de baixo rendimento escolar, dificuldades de aprendizagem, distúrbios de comportamento, agressividade e desobediência.

A questão é que existem muitas “justificativas” por trás da padronização de escolha, a maioria tomada de excesso de desinformação e preconceito. Nesse ponto, podemos citar a escolha por crianças brancas, ou sem deficiências físicas, neurológicas ou cognitivas.

Importante mencionar que a imposição dos estereótipos para a adoção acaba, de certa forma, ceifando de alguns menores o exercício dos direitos previstos no artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece que “é dever da família, do Estado, da Comunidade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Isso, pois aqueles cujas características não são as mais procuradas, acabam por permanecer nos abrigos por mais tempo, muitas vezes, até mesmo atingindo a maioridade.

Mas afinal, os abrigos são compostos, em sua maioria, por quem?

Em regra, por crianças acima de seis anos de idade, de cor parda, com irmãos e, muitas vezes, portadoras de alguma deficiência física ou cognitiva. Ou seja, na contramão do padrão buscado na adoção. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, 19,9% das pessoas que querem adotar preferem não adotar crianças negras que representam 66,1% das que estão nos abrigos brasileiros; 91% só aceitam crianças até 6 anos e 92% das crianças nos abrigos têm entre 7 e 17 anos. Esses são os fatores determinantes para as filas intermináveis de adoção no Brasil.

A verdade é que todos temos muito o que aprender sobre esse assunto. Desmistificar e quebrar tabus; buscar oferecer, para receber amor. Abrir mão de estereótipos estabelecidos pela sociedade.

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Amor não tem idade, não tem cor. Vamos incentivar a adoção!